(continuação de um blog)
Não é irritante quando nos abrimos? Quando deitamos cá para fora tudo aquilo que nos tem entupido a garganta? Quando as veias do nosso pescoço ficam salientes e púrpura, prestes a rebentar? Os olhos parecem querer saltar das órbitas e para cúmulo, as mãos parecem não escrever à velocidade do nosso cérebro, das nossas emoções. Não gosto de falar assim. Não gosto de dizer o que disse. Se pudesse, voltaria atrás. Não posso. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, não vai ser a última. Falo com raiva, com o ódio bem presente em cada letra. Passei-me. Sabes o que é pior? Não o odeio só por aquilo que fez, mas por aquilo que sinto por ele. Uma verdadeira moeda de duas faces. Gostava de já não sentir nada disso. De poder dizer "já passou". Mas não. Não passou. Não passa. Critico os outros mas faço ainda pior. Escondo. Escondo tudo, ninguém vê. Não quero que vejam. Por isso parei. Não disse mais nada. É estúpido, não devia fazer isso, é uma atitude de criança mimada. Mas quem me dera não ter de falar. Uma simples conversa. Tão simples. E puft. Fechei-me novamente.
Olha nos meus olhos. O que vês?
Eu vejo raiva. Por cada um de vocês.

3 comentários:
a criança assustada k há em ti.
Vejo uma grande amiga minha.
Ambos estão certos. Suponho.
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